Por que não tentar a vaga para o Havaí?

chiezamat
Entrevista com Rafael Chieza

Em seu primeiro IRONMAN, Rafael Chieza Fortes Garcia, de 30 anos, Primeiro-Tenente Médico do Exercito, cravou a marca de 9h24minutos, foi o melhor triatleta do estado do Rio de Janeiro, conseguiu a vaga para o Havaí e surpreendeu a todos com uma prova consistente e beirando a perfeição. Juntamente com Ralph Porto, outro atleta da equipe a conseguir a vaga, agora treina para o ironman do Havaí em outubro.
Formado em medicina pela Universidade Federal Fluminense e um entusiasta dos esportes, Rafael iniciou no triathlon em 2007 em um short. Hoje, classificado para o mundial, em outubro, e mesmo “jurando” a si mesmo que não mais faria uma Ironman durante os 42km de maratona, em 2011 está inscrito e largará novamente em Floripa.

Em um bom bate papo Chieza nos conta sua trajetória, as dificuldades de conciliar o trabalho, e a glória de ser um FINISHER.

Para começarmos descreva seu histórico de atleta. Como teve o inicio o triathlon em sua vida?

– Sempre fui muito ativo fisicamente, durante a minha adolescência jogava Futsal, cheguei inclusive a ser federado, mas em 1998 quando entrei na faculdade de medicina tive que optar pelos estudos e o esporte competitivo ficou em segundo plano. No final de 2005, já tinha terminado a faculdade estava com mais tempo livre, o Alexandre Vergete me chamou pra participar de uma corrida de aventura em Teresópolis. A corida foi horrível! Sofrimento puro do inicio ao fim, tudo foi feito no improviso, terminamos nas ultimas posições mas satisfeitos. A partir dai, em 2006 e 2007 passei a correr circuitos regionais de corrida de aventura (raid Rio e Cariocadventure). Mas as provas de aventura eram muito sacrificantes e eu me lesionava demais. Então vi no triathlon uma forma mais saudável de continuar competindo. No final de 2007, fiz minha primeira prova de short triathlon, e a partir dai só continuei nas provas do Estadual do RJ e fui aumentando as distâncias aos poucos. Na verdade, sempre tive a idéia de fazer triathlon, mas não tinha bike. Depois que comprei minha primeira bicicleta já pensava em fazer um Ironman, mais pelo desafio da distancia mesmo. Quando me inscrevi no Ironman decidi me juntar a equipe. Comecei a treinar com o Neném em setembro de 2009.

Como conseguiu conciliar os treinos com a difícil rotina de um médico?

2-  Para nós que somos amadores, o treino se torna quase que uma jornada dupla de trabalho. A partir de abril, quando o volume de treino aumentou mesmo, cheguei a fazer  25 horas de treino por semana, além do meu trabalho diário no HCE e plantões. Teve dia que comecei a correr 22:00h e terminei 00:30. Nessas horas a vida social vai pro espaço, sobra pouco tempo pra tudo. O apoio da família foi fundamental, sem eles não tem como treinar para o Iron.

chieza1

O seu tempo foi o melhor entre os cariocas, décimo melhor brasileiro… enfim… Isso gerou alguma surpresa ou foi dentro do esperado?

– O resultado foi muito fora do que eu esperava, muito melhor do que eu imaginava. Nas projeções de tempo que fazia na minha cabeça antes da prova, na melhor das hipóteses seria pra 9h30min e consegui 9h24min. Meu objetivo inicial sempre foi completar bem e se possível abaixo de 10h. Mas durante a prova quando sai da água bem, pensei comigo mesmo, “porque não tentar a vaga para o Hawaii?”. Então, a partir daí comecei a forçar mais do que o previsto, se no final eu “quebrasse” pelo menos teria tentado.

Qual foi a maior dificuldade dentro da prova, e o momento mais feliz?

– Fora o sofrimento físico da maratona, que eu achei cruel, minha maior dificuldade foi a dúvida de saber se estava fazendo tudo certo, se não tinha forçado demais no pedal, se tinha me alimentado corretamente. Esse foi meu primeiro Ironman, e são tantos os detalhes aonde você pode se perder, que tudo isso me deixou preocupado durante a prova toda, a falta de referencia atrapalhou bastante. Eu achava que a estratégia que eu adotei teria grande chance de dar errado, e só pensava em adiar ao máximo o momento em que eu ia “me arrastar”. Ainda bem que não aconteceu. Quando faltavam 4 km, passei pelo Nenem que me gritou que estava indo pra baixou de 9h30min, só ali tive certeza que conseguiria. Depois, nos últimos 3 km, quando entrei na Av.Búzios em direção a chegada a emoção tomou conta. Até a linha de chegada a dor e o sofrimento foram desaparecendo e a alegria só aumentando. Ver as pessoas que você gosta torcendo e vibrando com você não tem preço, é emocionante, fico “arrepiado” só de lembrar.

Quais seus próximos desafios agora?

– Agora vou voltar a treinar para realizar um sonho que é competir no Ironman do Havai em outubro. E apesar de ter jurado pra mim mesmo durante a maratona, nunca mais fazer um Ironman, já estou inscrito no Ironman Brazil de 2011.

E o que foi completar o Ironman, toda a magia que envolve a ilha.

– Na minha opinião e de muitos também, o ironman se tornou mais que um evento esportivo, é um estilo de vida, as mudanças que você impõe na sua rotina, seus hábitos, a alimentação, faz que a prova em si seja apenas a conseqüência dos meses de treino. Isso somado a toda a magia que toma conta de Jurerê na semana da prova, torna tudo especial e inesquecível. Só estando lá e vivendo pra entender. FIM