Boletim TOUR DO RIO

Entre os dias 28 de julho e 1 de agosto, o estado do Rio de Janeiro foi palco do Tour do Rio. Foram 16 Equipes e mais de 150 ciclistas, percorrendo mais de 780km em 5 dias de prova. A abertura foi na terça-feira, 27 de julho, com um prólogo de 2km no Leme às 19h. O Tour contou com a participação de mais de 5 países como Estados Unidos, Portugal, Espanha, Argentina, entre outros. Informações sobre a prova, altimetria e curiosidades estão no www.tourdorio.com.br.

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A Equipe CE+3 esteve representada no mega evento com dois atletas:
Wangner Sorriso e Pedro Paulo Barbosa, ambos correram pelo Time FW Engenharia.

> Distâncias e cidades em que o Tour aconteceu:

PRÓLOGO – 2KM – Leme
1ª ETAPA – Riode Janeiro / Angra dos Reis – 170km
2ª ETAPA – Volta Redonda / Três Rios – 160km
3ª ETAPA – Três Rios / Nova Fri­burgo – 157km
4ª ETAPA – Nova Fri­burgo / Cabo Frio – 140km
5ª ETAPA – Cabo Frio / Rio de Janeiro – 160km

Veja abaixo o diário da prova, com o relato do Pedro Paulo, participante do Tour, com os principais acontecimentos e a participação da CE+3:

• Prólogo – LEME

“O prólogo foi noturno, algo no qual nunca tinha feito. Uma competição diferente de pura explosão. A distancia real foi de 1,5km. Íamos 750m e voltávamos outros 750m. A largada era de 30 em 30s. Na minha largada fiquei muito tenso, batimento alto, mas tinha aquecido no rolo cerca de 40min antes o que facilitou. Quando desci a rampa, já desci marcha e consegui embalar bem, mas no retorno, que foi feito em cone, o vento estava contra e foi mais difícil de manter a velocidade, mas enfim, consegui cruzar a linha sprintando e fui o 57° colocado com 2min17s. Fiquei cerca de 10s atrás do primeiro colocado. Uma prova rápida e com o coração na boca”.

• 1ª ETAPA – Rio de Janeiro / Angra dos Reis – 170km

“A largada foi na Barra da Tijuca na praça do Ó, muita ansiedade e uma mega estrutura nos esperava. Largamos cerca de 140 ciclistas e tivemos neutralização com o carro madrinha por cerca de 6km. Na hora da largada o ritmo foi intenso com 50km/h durante todo o tempo. Nas etapas os primeiros quilômetros são marcados por inúmeras tentativas de fuga. Até a fuga conseguir sair e o pelotão acalmar é um Deus nos acuda (rs). Após passarmos a subida da Grota Funda, o pelotão deu uma amenizada e saiu uma fuga solitária. Não pensei duas vezes e consegui ir atrás. Andamos solitários durante cerca de 50km consegui pontuar na segunda colocação em duas metas volantes, e quando iniciamos o trecho da Rio-Santos, o pelotão nos pegou. Paguei o preço da fuga e fiquei bem cansado! Cheguei em um grupeto com cerca de outros 20 ciclistas a 8/9min do pelotão principal! Almoçamos em Angra e nos preparávamos para largar o outro dia em Volta Redonda com destino a Três Rios”.

• 2ª ETAPA – Volta Redonda / Três Rios – 160km

“Uma outra etapa plana, que tinha tudo para ser decidido em sprint e assim o foi. Saímos de Volta Redonda as 9h da manha e pegamos a maioria da estrada em um sobe e desce interminável, mas o pelotão sempre controlando 4 atletas que havia saído com cerca de 20km. A diferença chegou a 2min mas não passou disso. Os últimos 40km foram os mais difíceis. Nossa Equipe até trabalhou, já que havíamos negociado com os Italianos que pediram nossa ajuda. Quando entramos na BR-040 foi muito difícil, pois já estávamos com cerca de 140km nas pernas e o sobe e desce já havia piorado e muito (rs)… Entramos em Três Rios com muita velocidade, a fuga já havia sido pega e a etapa foi decidida em Sprint. Cheguei a cerca de 40s do bloco, mas já tinha feito o trabalho do dia. Ficamos em Três Rios ansiosos pela etapa 3 que seria a decisiva e a mais difícil do Tour”.

• 3ª ETAPA – Três Rios / Nova Friburgo – 157km

“A etapa Rainha do Tour foi realmente a decisiva, tanto em questão de sobrevivência, ao menos para mim, quanto para os que lutavam na classificação geral. Saímos de Três Rios às 9h e já pegamos a BR-040. Um sobe e desce muito forte e inúmeras tentativas de fuga. Até que um grupo com cerca de 15 atletas saiu. E eu pensava comigo…” Não posso sobrar aqui” rsrs!! E consegui resistir a subida do pedágio, onde era a primeira meta de montanha. Após isso descemos rumo a Itaipava, entramos na cidade com uma velocidade absurda e até antes da Serra muitas já tinham ficado e a fila era enorme devido ao ritmo. No inicio da montanha até pensei em acompanhar o ritmo, mas a etapa estava apenas com 40km e ainda restava 100km pela frente. A ponta estava subindo a quase 30km/h, era muito difícil acompanhar. Fiquei no meu ritmo usei a relação 39×21 e fiquei a 21/22km/h no qual estava confortável. Subi com mais dois ciclistas sobrados e ao final, mais duro, eles ficaram e desci a Serra de Itaipava sozinho. Sem dúvida uma das etapas mais difíceis da prova. AO final da descida fui para Teresópolis e cruzei sozinho, nessa hora minha mente quase falhou, mas a sorte foi que avistei um grupo a frente com cerca de 10 ciclistas o que aliviou um pouco. Foi nesse grupo que fiquei durante toda a Tere-Fri, até Friburgo. Foi muito difícil! Tive o incentivo em um dos trecho de subida do Neném, rsrsr.. Nessa hora tudo é valido e qualquer berro que escutamos é um ótimo incentivo. Chegamos depois de mais de 4h20min no teleférico de Friburgo. Fiquei muito feliz pois sabia que tinha superado a principal etapa do Tour. Muitos desistiram justamente nessa etapa e mesmo tomando 20min do primeiro colocado poderia largar no dia seguinte!”

• 4ª ETAPA – Nova Fri¬burgo / Cabo Frio – 140km

“Essa parecia ser uma das etapas mais “fáceis”, mas logo no começo não foi isso que nós vimos. Saímos de Friburgo com destino a Cabo Frio. A largada neutralizada durante 3km e quando o fiscal do carro abaixou a bandeira, já encaramos uma subida de cerca de 2km. O pelotão acelerou muito o ritmo e esfarelou o grupo. Até sairmos da cidade foi muita subida e pouca descida (rs). Nesse ritmo era um tudo ou nada e a recuperação na descida. Ficamos em um grupo de cerca de 30 atletas. Até começarmos a descer controlamos o ritmo para não esfarelar mais. E enfim começamos a descida da estrada Serramar, onde até acontece a tradicional Escalada Serramar, só que tudo o que subimos nessa competição, descemos no Tour do Rio e aí, haja pernas e sangue frio! Minha máxima foi de 98km/h, e descendo durante cerca de 40km! Muita velocidade até chegar no plano, passando por Rio das Ostras. A partir daí foi somente plano até Cabo Frio. Tiramos o pé, já que não havia interesse em colocação, somente chegar no limite de tempo e assim o fizemos. Ainda consegui sair do grupo que estávamos junto com outro atleta do Rio e Sorriso. Chegamos em Cabo Frio aliviados e prestes a concluir o desafio!”

• 5ª ETAPA – Cabo Frio / Rio de Janeiro – 160km

“Bem, no último dia ainda faltavam 160km para percorrer. No hotel ainda brinquei com meu colega de quarto, Renan, que se me oferecessem uma carona, era bem provável que aceitasse. As pernas estavam bem doloridas e já estava temeroso com o ritmo que o pelotão iria impor, já que não havia acordo de cavalheiros como no Tour de France e as tentativas de fuga viriam com tudo. Dito e feito, foi assim mesmo que aconteceu. Saímos de Cabo Frio e pegamos a Via Lagos em um belo asfalto mas num ritmo muito forte. A todo momento tentavam sair gente na fuga, até que com 30km conseguiram sair dois atletas e o pelotão cedeu. Eles abriram cerca de 2min30s. Foi o limite, não passaram dessa distancia. Enquanto isso o pelotão somente rodava a 45/48km/h. Era tempo de se alimentar, hidratar e ficar de roda. Cruzamos a Niterói Manilha e de longe já avistava a ponte, o que me emocionou muito. Quando entramos na ponte foi muito emocionante, passamos pelo pedágio, e entramos num falso plano gigante rumo ao vão central que subimos a 41km/h. Já na descida foi mais gostoso (rs). A 65km/h terminamos a descida e fomos para a perimetral e quando terminamos já estávamos no aterro restando cerca de 4km par ao final. O ritmo aumentou absurdamente com o pelotão andando a 60km/ durante todo o tempo até o final. Cruzei a linha emocionado sabendo que havia cumprido um grande desafio e sem duvida um divisor de águas na minha vida como atleta. Ao final encontrei alguns amigos e cansado voltei para casa”.

> Pedro foi o 76° colocado após cruzar os cerca de 800km em 19h01min22s. Já Wangner Sorriso foi o 71° com o tempo final de 18h54min50s. O próximo desafio dos ciclistas é no dia 15 de agosto com a tradicional Volta Ciclística de Botafogo!